domingo, 23 de outubro de 2011

Um jogo cruel, mas que valeu a pena.



Quem tiver curiosidade de ler o primeiro parágrafo do último post, vai ver que eu dei um tempo nos textos do Blog por não aguentar vivenciar duas vezes (na hora do jogo, e depois, escrevendo no Blog) a angústia do maior período sem vitórias da história do Cruzeiro.

Mas hoje faço uma pausa na pausa, pois vale muito a pena saborear os louros da vitória depois de tanto tempo... Ainda mais de uma vitória conseguida na luta, no suor, no sangue e na raça. Senhor, quanto sofrimento!

11 jogos sem saber o que era o gosto da vitória e o peso de começar a partida com a obrigação da vitória. Era este o panorama para o Cruzeiro e, sabendo disso o time começou apertado de todas as formas o time do Atlético Goianiense. A raça transbordava dos pés dos jogadores celestes. Todos, muito concentrados na partida. Mas a empolgação deu lugar ao clima de tensão aos 15 minutos, quando T. Feltri fez 1x0 para o time goianiense.

Não era possível, não era justo. Não era justo com o time e com a história do Cruzeiro. E procurando mudar o panorama da partida, Mancini tirou o lateral Vítor para a entrada de Róger.

A peleja continuou. Farias e Anselmo Ramón tiveram boas chances, mas a bola teimava em não entrar no gol, como se houvesse um campo de força sobrenatural impedindo que nosso time se reencontrasse com os gols. Mas aos 41, A. Ramón tocou para um chute de Farías, de primeira, que entrou no cantinho do goleiro do Atlético-Go. 1x1.

Mais gols, mais sofrimento e a virada.

Todo mundo estava na expectativa de mais um gol do Cruzeiro. A tensão crescia e Fabrício, um dos melhores do time no primeiro tempo, havia saído no intervalo com dores na perna, dando lugar ao jovem Élber.

A pressão celeste continuava, mas o inacreditável aconteceu mais uma vez aos 21 do segundo tempo. Em uma saída de tiro de meta muito ruim do Fábio, após o bate rebate, a bola sobrou para Felipe que chutou para fazer 2x1 para o Atlético-GO.

Um breve silêncio tomou conta da Sampa Azul. Eu mesmo, que já havia abandonado minha cadeira para assistir o jogo de pé, tive de fugir da multidão e buscar um cantinho para torcer em um cantinho separado.

Não havia mais unhas para serem roídas, o nervosismo tomava conta de todos. O time claramente estava ansioso, mas brigador. Dentro do seu limite, tentava de tudo. E de tanto tentar, encontrou a recompensa aos 25, em cobrança de escanteio que sobrou nos pés de Anselmo Ramón, que empatou a partida novamente.

Fomos a loucura, o estádio inflamou, o time também. Naquela altura, não era possível... Tínhamos que virar, merecíamos virar, era preciso, justo, necessário.

E aos 29, novamente Anselmo Ramón recebeu uma bola no canto esquerdo do ataque. Livre de marcação, ele caminhou um pouco com a bola, ajeitou a gorducha, e soltou um balaço redentor. A bola partiu em uma paralela perfeita, acertando o fundo das redes do goleiro adversário, naquele que era o 3º e tão sonhado gol do Cruzeiro na partida. Um golaço que, diga-se de passagem, vai me fazer enterrar aquele gol perdido contra o Palmeiras na estréia do jogador. (Sim, eu guardava mágoa até hoje daquele gol perdido... rs)

E os minutos finais foram torturantes, desesperantes, sofridos, chorados, suados, na raça. Jogamos como time pequeno, minúsculo, microscópico... segurando cada bola no ataque, voltando para defender com 10 jogadores.

Não havia mais tática, muito menos técnica. E os 3 minutos de acréscimo do juiz pareceram horas. Chutões, faltas, cartões. Utilizamos todos os recursos para segurar o resultado até que o apito final do árbitro veio.

Foi uma verdadeira explosão de alegria na Sampa Azul. E então o grito que havia se calado por 11 rodadas, mais uma vez ecoou na Av. Brigadeiro. Era o reencontro com a vitória, com a alegria e com o bom futebol. (Diga-se de passagem, bom futebol que deu as caras também nos jogos contra São Paulo e Corinthians).


Parabéns aos jogadores pela dedicação e luta no jogo de hoje.

Ainda não há nada garantido. Muitas batalhas ainda estão por vir. Mas só de saber que recuperamos um pouco do espírito guerreiro típico do nosso time, UFA, isso sim já é uma vitória.

Vamos vamos, Cruzeiro!