segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

O clichê do desmanche.


O Cruzeiro cruzou os anos de 2013 e 2014 atropelando times, tabus e adversidades. Foi campeão com sobras, calando mesas-redondas, cornetas e estádios Brasil afora. Era o trunfo do planejamento de uma cúpula nova, era a vitória do futebol moderno, dos lances envolventes em campo e também fora dele. De tão original e vanguardista, o time foi conhecer sua derrota naquilo de que mais fugia: o clichê.

“Vender para fazer caixa”. O lema de Perrella e da maioria dos times brasileiros voltou para assombrar as manchetes e muitas de nossas ambições, dando início ao esfacelamento do elenco celeste. A cada semana, uma nova venda, até que a base bicampeã se foi em meio a altas cifras e negócios da China.

A ida de Éverton Ribeiro para Dubai anunciada logo antes da partida contra o Shakhtar Donetsk, selava o pacotão de desmanche a que o Cruzeiro se submeteu. O amistoso ganhava espectadores ainda mais receosos com o que o time poderia mostrar em campo, afinal, os jogadores que se apresentavam em frente às arquibancadas mal sabiam o nome do companheiro ao lado.

O primeiro tempo foi um verdadeiro convite para curtir o aniversário de São Paulo. A cada passe errado, as comidas das feiras gourmet e as comemorações que aconteciam pela cidade ficavam mais interessantes e convidativas. Era duro assumir que a melhor equipe do Brasil perdia de 1x0 para o time do Dentinho.

Até que chegaram os quarenta e cinco minutos finais. Marcelo Oliveira, como sempre, deu aquele sacode e acordou o grupo, que em uma jogada de muita velocidade igualou o placar. O gol veio para coroar um conjunto desentrosado, mas que se esforçou muito para que os presentes no Mané Garrincha saíssem com um pequeno alento, que fosse.

Temos à frente um mês crucial antes de começarmos a desbravar a América. O Mineiro vai ser nosso grande aliado no entrosamento e construção de um time do tamanho  e com jeito de Cruzeiro. Se mostrarem a mesma vontade do segundo tempo de ontem, logo esqueceremos das peças que nos foram tiradas. Que as vendas desse desmanche nos mostrem que os que ficaram, não estão vendidos.

domingo, 28 de dezembro de 2014

Até agora, valeu muito. O que mais nos aguarda?


Quem conviveu com a agoniante situação dos anos de 2011 e 2012 dificilmente imaginava que 2013 e 2014 seriam tão sensacionais como foram. Se nos dois primeiros o grito era de ‘devolvam meu Cruzeiro’, nestes dois últimos anos o apelo – ou melhor – o desafio é ‘não deixem meu Cruzeiro ir embora’.

Chegar ao topo é algo difícil, mas manter-se nele é algo ainda mais desafiador. Por isso mesmo a conquista do Bicampeonato Brasileiro consecutivo é algo tão expressivo.

Quando este elenco foi montado, o então diretor de futebol Alexandre Mattos disse: temos time para, pelo menos, 3 anos. Pois bem, chegamos ao 3º ano consecutivo com quase o mesmo elenco e com grandes expectativas. O problema agora é que o Cruzeiro é a bola da vez, o time que todo adversário quer bater para aparecer e provar o seu valor.

Não bastasse o desafio de motivar um elenco vencedor, algumas peças que já foram importantes já não fazem mais parte do nosso time. A. Mattos mesmo foi um que abandonou o barco, enquanto Borges – destaque em 2013 – pouco fez em 2014 e acabou dispensado. M. Moreno dificilmente permanecerá na Toca, enquanto o experiente Samúdio também já não faz mais parte do Cruzeiro.

Há quem diga que a manutenção do elenco é o ‘maior reforço’ do time. Pessoalmente discordo. Uma equipe como o Cruzeiro precisa de grandes nomes para não deixar acomodado os grandes atletas que aí estão. Temos que ter uma sombra para cada posição do time titular. E se por um lado poucos deixaram o time, por outro quase ninguém chegou.

O final deste 2015 pode ser de consagração ou de grandes problemas para o Cruzeiro. Muitos atletas do elenco atual terão seu contrato no fim, o que forçaria a diretoria a ter que vende-los para reaver parte do capital empregado para a montagem deste time campeão. Ou mesmo a necessidade de renovar tais contratos, porém com valores muito superiores uma vez que todos agora são campeões e estão valorizados.

Na verdade, muito da motivação e manutenção deste time passa necessariamente por um bom desempenho na Taça Libertadores. Primeiramente pelo lado financeiro que o torneio proporciona. Depois, pela gana que os atletas devem ter em participar de um torneio tão importante com chances de sermos campeões.

Temo que uma eliminação no torneio continental possa ser o marco final de um ciclo vitorioso para este elenco, tal qual conhecemos. A venda de jogadores e o recomeço de um projeto seriam quase inevitáveis. (É bom deixar claro que não me refiro ao ciclo de vitórias, mas deste elenco como conhecemos hoje).

Por tudo isso, vejo que seria a hora de a diretoria fazer aquele esforço adicional para trazer um ou dois jogadores pontuais para realmente entrarmos com tudo na disputa pela LA2015. Um frente de ‘responsa’, um camisa 9 matador seria uma peça indispensável (Sinceramente não acredito que este atleta tenha o perfil de um Leandro Damião, por exemplo... embora eu vá torcer e apoiar muito o jogador caso ele venha).

Temos um ótimo goleiro, 4 zagueiros muito bons, dois meias sensacionais, dois laterais direitos que dão conta do recado e uma dupla titular de ‘volância’ em grande fase. Pessoalmente, acredito que precisamos de um bom jogador para a lateral esquerda para pressionar e revezar com o Egídio e dois bons jogadores de área, uma vez que Alisson, Dagoberto, William e Marquinhos podem fazer um bom papel como segundo atacante.

Independente do que aconteça daqui para frente, este grupo já ficou marcado na história do Cruzeiro. São verdadeiros heróis, bicampeões brasileiros. Ou seja, o saldo já é positivo... o que pode acontecer é acumularmos ainda mais glórias e crédito.

Se em campo as coisas caminham bem, nós – torcedores – também precisamos continuar a fazer o nosso papel.

Daqui há pouco tempo, Corinthians e Flamengo passarão a receber absurdos 170 milhões da Globo, enquanto o Cruzeiro ficará com apenas 60. Um abismo de 110 milhões que promete acabar com a competitividade do futebol Brasileiro.

A única coisa que pode nos manter na disputa é a mobilização de nossa torcida e a adesão ao programa de Sócio do Futebol do Cruzeiro. Por isso, caso você já seja sócio, continue com a sua parceria com o clube. E caso você não seja, faça um pequeno esforço para tornar-se um. O Cruzeiro depende de você para continuar forte e na luta por títulos.

2015 bate à nossa porta e entraremos neste ano com tudo, em busca de mais títulos e mais páginas heroicas e imortais.

Um feliz ano novo para toda a nação celeste. Um ano novo e – se Deus quiser – cheio de conquistas.

Vamos Cruzeiro! 

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Não faltou raça, faltou perna.


Ninguém gosta de perder, especialmente para o rival. Porém existem Derrotas e derrotas, daquelas que nos convida a observar algo além do resultado final.

Nem de longe desejo contestar a vitória justa do adversário, mas é notório que o revés na final da Copa do Brasil veio como ‘a conta a pagar’ pelo título Brasileiro de 2014.

Discordo daqueles torcedores de cabeça quente que, movidos pela cegueira da raiva e da tristeza, dizem que faltou raça ao time. Não faltou luta, faltou ‘perna’ mesmo.

Discordo também daqueles que bradam ‘mas o Cruzeiro jogou o mesmo tanto de outros times, deveria correr igual’. Horas, pode ter até jogado o mesmo número de partidas, mas nem de longe foram jogos com a mesma tensão emocional e intensidade física que o líder do Brasileiro foi obrigado a se submeter. Todos jogam diferente contra o Cruzeiro, o time a ser batido.

Lesões, uma sequência decisiva de contra Santos, Grêmio e Goiás intercaladas com decisões contra o Santos e Atlético na CB cobraram ontem o seu preço.

Não estou procurando desculpas. Até porque, sinceramente, não acho que uma equipe que tenha vencido o campeonato regional, tenha conquistado o Bicampeonato seguido do Brasileirão (torneio mais difícil e importante do país) e tenha ficado com o vice da Copa do Brasil precise de desculpas. Ele merece é o reconhecimento da torcida, coisa que aconteceu ao final da partida pela galera que foi ao Mineirão.

Quem acompanha meus textos e opiniões, sabe que eu sempre achei o time de 2013 melhor que o de 2014. Melhor talvez não seja a palavra ideal... mais ‘inteiro’ seria mais adequado. Apesar de tudo isso, lideramos o Brasileiro desde a 6ª rodada e somos campeões novamente.

Sobre a partida da final da Copa do Brasil, a verdade nua e crua é que o Cruzeiro andou em campo, enquanto o Atlético fez o jogo da sua vida. Somente um time jogou esta final em plenas condições físicas e deu no que deu.  Com certeza, em outra situação o desempenho da Raposa seria bem diferente.

Em qualquer outra situação, uma derrota como esta naquele que haveria de ser o maior clássico da história do RapoCota, seria terrível para os Cruzeirenses. Mas os feitos recentes do time fizeram com que a torcida entendesse a limitação física da equipe neste momento (entender, não aceitar, diga-se de passagem).

Ou seja, para o decepção do outro lado da Lagoa, os Cruzeirenses num geral saíram resignados com o momento do time, apesar da derrota, que ficou em segundo plano. Os caras querem ‘zoar’ e ninguém liga. Até porque, há de se destacar que as coisas continuam como sempre foram em MG: com o Cruzeiro sendo o maior time.


Somos Tetracampeões desta mesma Copa do Brasil e Tetracampeões do Brasileiro, torneio ainda mais importante. Fora os outros títulos que eles estão cansados de perseguir. É tanto furdunço que chego a pensar que eles nunca ganharam uma Copa do Brasil antes... rs

Aos Cruzeirenses resta torcer para que a diretoria consiga renovar com o M. Oliveira e construa um elenco ainda mais forte para 2015, quando teremos a chance da ‘revanche’.

Vamos Cruzeiro! Estamos juntos em todos os momentos, tanto nas vitórias, quanto nas raras derrotas. E permaneceremos sempre...


#FechadosComOCruzeiro.

domingo, 23 de novembro de 2014

É Tetra! É Tetra! É Tetra! É Tetra!


É Campeão! Péra... É Bicampeão seguido! Ou melhor... é TETRA do Brasileiro!

Pode soltar o grito nação celeste, pois o Cruzeiro é o Campeão Brasileiro de 2014. Uma conquista do merecimento, da superação e da justiça, uma vez que a Raposa manteve-se quase toda a competição na primeira posição, mesmo com todos os erros de arbitragem, com todo o amadorismo da CBF.

Sim, pois, apesar do título, não podemos esquecer que tentaram nos tirar este campeonato a todo custo, com arbitragens ridículas que só não mudou o resultado final do campeonato porque fomos maiores que os apitadores.

Assim como não podemos deixar de registrar que a CBF, no maior exemplo possível de amadorismo, não pausa o seu campeonato e desfalca as equipes de seus principais jogadores. Nossa dupla de meias fez falta em um momento importante da competição.

Apesar de tudo e contra todos, vencemos! Assistimos um Cruzeiro consistente e avassalador no primeiro turno. Passamos momentos tensos quando o time sentiu a maratona de jogos e tropeçou algumas vezes em casa. Acompanhamos a mídia, seguidas vezes, tentando encontrar algum ‘Ante-Cruzeiro’... em vão.

Pois foi quando nos faltou perna, foi quando as dificuldades pareciam maiores que o Cruzeiro mostrou a sua força. Afinal de contas, a história ensina que heróis aparecem mesmo nestas horas. E foi com heroísmo que este time venceu duas das mais difíceis partidas do ano, fora de casa, contra Santos e Grêmio (este último em duelo magistral).

Não somos simplesmente campeões, mas sim Bicampeões seguidos, um feito tão difícil quanto histórico, ‘surreal’ para o torcedor que até 2003 via o Brasileiro com uma obsessão, um sonho intangível. Pois aí está Cruzeirense, campeões novamente.


O jogo do título.

Não foi fácil. Debaixo de muita água, o Cruzeiro encontrou no Mineirão encharcado o seu maior adversário. Quando R. Goulart fez, logo aos 12, o primeiro gol da Raposa, parecia que as coisas seriam mais fáceis. Mas não foram.

Aos 22, o Goiás empatou em lance de bola parada, uma daquelas bolas que nos mata de raiva alçadas na área do Cruzeiro. Desta vez, Samuel empatou para o Goiás.

Para um time que nada tinha a buscar na competição, o Goiás se desdobrou em campo e teve chances de fazer seus gols. Já no segundo tempo, quando foi anunciado o gol do São Paulo sobre o Santos, o clima ficou tenso. Mas só até os 17 da etapa complementar quando E. Ribeiro fez o gol do título.

Ainda houve tempo de duas intervenções miraculosas de Fábio, a última delas no fim da partida, garantindo assim a Taça para o time da Toca.



E foi assim que este time fez história.

Uma recompensa divina para esta torcida que amargou dois anos dificílimos em 2011 e 2012 para, na sequência, ter dois dos melhores anos de sua história. Creio não existir um Cruzeirense no mundo que não esteja de alma leve.

Essa conquista vai além. Não é mérito de um time com um craque acima da média, de um elenco extremamente caro, não é fruto do acaso. Longe disso!

O Tetracampeonato do Cruzeiro chega para coroar um presidente que mudou a filosofia do Clube, que acreditou que manter seus jogadores e a ambição de conquistas é mais importante do que tocar o time como um balcão de negócios. O Tetra chegou para coroar o trabalho de um treinador perseverante, motivador e trabalhador, bom o suficiente para vencer seu passado e conquistar a nação azul junto dos títulos. E para consagrar um grupo de jogadores, formado por guerreiros, lutadores, profissionais que tinham uma característica em comum: algo a provar.

Pronto, está provado. Vocês são Campeões Brasileiros!



Difícil conter a emoção neste momento.

Parabéns a todos os jogadores, direção e torcida... a todos que fazem parte ou representam esta equação fantástica que, somada, resulta neste clube que tanto amamos. Parabéns ao Cruzeiro Esporte Clube, Tetracampeão Brasileiro de Futebol.


domingo, 16 de novembro de 2014

Superando os próprios limites.


Aos 6 minutos do segundo tempo, a zaga Santista afastou a bola. Manoel cortou o lance na zaga celeste e a bola sobrou para Nílton, que dominou e tocou rapidamente para M. Moreno, que de calcanhar ajeitou para Ricardo Goulart que carregou a bola em velocidade, enfiou a bola para William que com um leve tapa, devolveu para o camisa 28, em progressão pelo lado esquerdo da área adversária fuzilar e fazer o gol da providencial vitória celeste.

Um lance bem ao estilo do Cruzeiro, rápido eficiente e mortal. Mais do que isso, um gol que sacramentou uma vitória em um dos dois jogos dificílimos fora de casa e que nos deixou ainda mais próximos do tão sonhado Tetra.

Nem vou comentar o péssimo primeiro tempo da equipe, tão pouco o fato de que os jogadores estão em seu limite físico. É hora de superar tudo isso, de superar a tudo e a todos. Matematicamente, estamos a 2 vitórias do nosso maior objetivo.


Parabéns aos guerreiros celestes pela importantíssima e difícil vitória conquistada no dia de hoje.

E quem sabe nós não beliscamos alguns pontinhos no Sul também, heim? Seria uma vitória típica de time campeão. Vai que...

Mais um importante passo rumo ao Tetra. É reta final e agora a taça está a vista. Mas não podemos nos enganar com isso. É justamente agora que não podemos baixar a guarda e temos de fazer o impossível para superar nossos adversários.


Vamos Cruzeiro!

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

A história ensina: a não duvide do Cruzeiro.


Um gol impedido logo no início da partida e uma bobeira da defesa em uma cobrança de lateral deram ao Atlético 2x0 de vantagem no primeiro jogo da decisão.

O Cruzeiro tentou manter o controle emocional e a posse de bola, mas foi pouco efetivo na busca do seu gol.

Resultado ruim? Sim, foi. Mas o verdadeiro Cruzeirense, aquele que não sofre de memória curta, há de saber que em se tratando de final e de Copa do Brasil, viradas heroicas são especialidade da Raposa.

1996, contra a seleção do Palmeiras é uma prova. 2000, 2 gols e a virada no final do jogo contra o ‘favorito’ SPFC também. O próprio rival, por duas vezes nesta edição da Copa do Brasil, também ensina.


Nos resta agora separar o joio do trigo, o torcedor que vai jogar junto do Cruzeiro até o fim daquele que na dificuldade vai atrapalhar.

Dia 26, eu estarei no Mineirão para ser testemunha de um time que vai lutar até o final, pois desistir não está no dicionário do verdadeiro Cruzeirense. Uns acreditam, eu tenho certeza de que os jogadores do Cruzeiro vão honrar a nossa camisa.


Força Cruzeiro! A luta pelo penta continua.